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Leituras da Cá

Olá meus queridos leitores!!!
Hoje trago para vocês a entrevista que a autora E. L. James deu sobre a adaptação do livro Cinquenta Tons de Cinza para as telonas.
Vamos conferir...

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Entertainment Weekly: A adaptação do filme Fifty Shades of Grey está prester a iniciar as gravações em Vancouver. Como você se sente com isso?
E.L. James: Estou apavorada. Completamente. Eu tenho estado apavorada desde o momento em que publiquei o livro. Minha mãe estava com medo de tudo, e eu também. É uma maneira terrível de crescer. Você não espera esse tipo de sucesso. Mesmo agora eu sinto um frio na barriga. Minha única ambição pelos livros era vê-los em livrarias. Isso é grande. E há o fã clube que é apaixonado; precisamos fazer isso certo por eles.
Você acha que os fãs irão responsabilizar você se eles não gostarem do filme?
Ah Deus, com certeza eles irão. Eles me culpam por tudo.
Você lê todos os comentários online?
Não. Isso me assusta. Eu tenho evitado ler a maioria das coisas por um bom tempo para minha própria auto-preservação,
E você ainda se sente responsável por eles?
Sim. Especialmente vindo de um lugar de um fã-clube meu. É um lugar estranho para estar. O que eu realmente gostaria de estar fazendo é sentar em uma pequena sala escrevendo meu próximo livro. Sinto tanta falta disso.
Você está escrevendo outro livro?
Eu tenho escrito outro livro.
Será publicado logo?
Eu não sei.
É sobre o que?
Não vou te contar.
Há sexo nele?
Não. [Pausa] Na verdade, isso não é verdade, mas é de um jeito diferente que Fifty.
Quando os estúdios conversaram com você pela primeira vez sobre vender os direitos de Fifty, você não estava certa que queria vender todos, certo?
Isso é verdade. Eu não sabia se era o certo a se fazer. E então eu pensei: “Eu estou na meia-idade; quando eu conseguirei outra chance de fazer um filme Hollywoodiano?” Esse foi o pensamento final: Vamos com ele. Vamos ver se podemos nos divertir com isso.
Você poderia escolher entre vários estúdios. Por que a Universal?
Eu senti que o material estava em mãos seguras com a [Universal Pictures Chairman] Donna Langley. Ela amou os livros, ela entendeu o material, e ela sabe fazer uma brilhante xícara de chá. A maioria dos americanos não sabem fazer isso.
Suponho que você queria ter algum nível de controle sobre o filme?
Não muito. Para mim era apenas não estar completamente de fora do processo. Eu tenho a aprovação do script. Eu acho que sou uma colaboradora muito boa. Se você olhar para os autores Suzanne Collins [The Hunger Games]; Stephenie Meyer [Twilight], e J.K. Rowling [Harry Potter], elas estavam envolvidas nos seus projetos. É a mesma coisa.
Você acha que você e os diretores geralmente concordam nas coisas?
Nós temos discussões saudáveis entre nós, e está sendo interessante. A ironia da coisa toda é que meu marido é um roteirista e costumava aparecer depois de uma reunião no qual os produtores deles estavam pedindo mudanças, e eu dizia: “Ah, você precisa escrever um livro e então você não terá ninguém dizendo o que fazer”.
Romances sempre precisam serem cortados para filmes. É difícil deixar certas coisas?
É um livro muito profundo, e as pessoas não percebem isso porque o leem muito rápido. Então algumas coisas são cortadas, mas eu entendo completamente o porquê. Algumas coisas servem na história nos termos literários, mas não nas telas.
Houve especificas cenas de sexo que você sentiu que definitivamente deveria estar no filme?
Todos têm suas cenas de sexo preferidas.
Qual é a sua?
Eu não direi.
E a cena no quarto dela com a gravata, a venda e o vinho branco?
[Sussurros] É a minha preferida também.
Ela continuará no filme?
Você terá que esperar para ver.
Dakota Johnson, que interpreta Anastasia Steele, foi a primeira a ser contratada. O que você gosta nela?
Ela é uma alma antiga, mas ela é tão doce, e ela tem um bom senso de humor.
Houve uma grande reação online quando Charlie Hunnam foi cogitado inicialmente como Christian.
Foram reações misturadas e eu tive que sair do Twitter por alguns dias. Eu não estava surpresa. As pessoas odeiam mudanças. Eu pensei que haveria algumas pessoas tristes, independetemente de quem tivessemos escolhidos. Foi intenso, mas as pessoas o apoiaram.
E então ele saiu.
Foi decepcionante, mas é isso. Eu desejo tudo de bom para ele. E agora temos Jamie [Dorman], e isso é ótimo. Está sendo interessante com Jamie, a reação dos fãs têm sido positiva.
Você sabia que ele era chamado de “The Golden Torso”?
Não, não até ser anunciado. Nós deviamos fazer algumas brincadeiras sobre isso. Foi tão bom as pessoas não saberem quem era ele. Eu amei isso.
Você tomou um pouco do calor da comunidade BDSM para o passado de Christian: que ele se envolve nesse comportamento sexual só porque ele está machucado. O que você acha disso?
É fascinante. Christian meio que evoluiu na minha frente. Das três ou quatro pessoas que eu sei que faz esse tipo de coisa [BDSM], um deles tem um passado muito, muito, muito obscuro. Realmente obscuro. Mas eu entendo que há pessoas que não precisam de uma infância frustrada para agirem como Christian.
Sam Taylor-Johnson (Nowhere Boy), que é mulher, está dirigindo esse filme. Você se importou por ser uma mulher dirigindo o filme?
Essa é uma questão interessante. Apenas aconteceu de ela ser uma mulher. Esse é um livro para mulher. Eu escrevi para mim. Eu acho que é ótimo uma mulher fez o roteiro original da adaptação, que um temos uma chefe de estúdio. É raro nessa cidade, pelo que eu descobri.
A abordagem de Sam era diferente das abordagens dos diretores que você conversou?
Eu acho que não. Ela também disse que tem quatro filhos e que ela tem de ficar longe deles e da maternidade. E eu entendi ela completamente. Eu pensei: “Sim, eu sei de onde você está vindo”.
Há um império total de Fifty Shades of Grey agora: vinho, joias, brinquedos sexuais.
Eu queria fazer algumas camisetas e xícaras, mas apenas isso. Fico retrocedendo em publicidade. Mas eu acredito em tudo que fazemos, eu realmente gosto e acredito.
É muito para acompanhar. Como você está se sentindo com tudo isso?
Estou no limite, com toda a franqueza. Saltando fora. Eu já tive dois anos disso agora. Quando você começa a fazer isso [promover seu trabalho], você não sabe como lidará com isso. Eu poderia ter sido uma prostituta completa da fama – todos queriam me entrevistar. Mas isso não me interessa, estar na tv e tudo mais. Então eu tentei retroceder. Porque francamente, eu sou tímida, mesmo com as pessoas não acreditando nisso. E eu realmente sinto falta da minha família… e meu cachorro. Nesses últimos três meses eu fiquei em casa por umas duas semanas.
Você está pelo menos se divertindo com o filme?
Ainda estou levando tudo a bordo: “Meu Deus, isso está realmente acontecendo!” Ainda estou me beliscando.

E ai pessoal o que acharam??? Eu gostei da entrevista e estou ansiosa com a estreia do filme e tenho medo de me decepcionar por causa dessa expectativa, mas vamos esperar 2015 e ver no que vai dar :)
Beijus
Camila Mazzetto
06:00 No comentários
Olá leitores!!!
Essas últimas semanas foi muito falado sobre a entrevista que a autora Sthephenie Meyer deu, onde ela fala que cansou de Crepúsculo, que tal conferir essa entrevista???


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A escritora que ficou mundialmente conhecida pela saga Crepúsculo, Stephenie Meyer, está voltando à mídia por conta de uma entrevista que deu ao site Variety. Nele, Meyer diz que, além de já ter superado sua saga de maior sucesso, está cansada deste estilo de literatura e que este não “é um lugar feliz”.
Ultimamente trabalhando mais no cinema, a autora produziu os últimos dois filmes da sua primeira saga de vampiros, uma adaptação de seu mais novo livro, A Hospedeira, e, ainda, outro filme adaptado chamado Austenland, onde contou que “a pressão foi bem menor já que eu não estava por trás do romance original”. Talvez cansada deste trabalho, a autora contou que está mais interessada em literatura fantástica e, mais especificamente, no mundo de Tolkien, ”estou interessada em passar um tempo em outros universos, como a Terra-Média”, contou ao jornalista do Variety.
Apesar disso, Stephenie contou que não está em época de escrever nada novo. Confira abaixo a entrevista (traduzida) completa:

Variety: Que tipo de nome é “Fickle Fish” (Peixe inconstante em tradução livre; o nome da produtora que a escritora está trabalhando)?
Stephenie Meyer: (risos) Meghan Hibbett e eu nos acomodamos nisso, porque não conseguimos encontrar um nome que não tivesse sendo usado. Nós estávamos comendo sanduíches de queijo grelhado e tentamos até “queijo grelhado”, mas descobrimos que outra pessoa já o usava. Nós escolhemos, então, “Peixe inconstante” porque nós “meio que” nos sentimos como um peixe fora d’água.

Variety: Como foi ser uma produtora em Austenland em comparação com Crepúsculo e A Hospedeira?
SM: Houve pressão zero, uma vez que este não era o meu romance. É uma comédia em primeiro lugar, então haveria um monte de risadas. Keri estava grávida de cinco meses e a mulher menos grávida que eu já vi.

V: Como foi no Festival de Sundance?
SM: Eu tinha até uma boa experiência em festivais. Austenland teve boas avaliações e a Sony Classics comprou imediatamente.

V: Que tipo de pressão existia com os dois últimos filmes do Crepúsculo e A Hospedeira?
SM: Foi muito intenso, porque você tem uma imagem mental de cenas e personagens, com base no livro. Meu papel era manter (as coisas) o mais próximo (do livro) quanto possível.

V: “Peixe inconstante” tem mais duas histórias de fantasmas, de Lois Duncan Down a Dark Hall (Por um corredor escuro em tradução livre” e outro do Kendare Blake, Anna Dressed in Blood (Anna vestida em sangue, em tradução livre). Qual deles será seu próximo projeto?
SM: Nós estamos muito mais à frente na adaptação Down a Dark Hall e estamos à procura de um diretor. Mas, não estamos apenas fazendo histórias de fantasmas.

V: Que tal um regresso à Crepúsculo“
SM: Eu me sinto mais distante [da obra] a cada dia. Estou muito cansada  disso. Para mim, não é mais um lugar para ser feliz.

V: A porta está completamente fechada?
SM: Não completamente. Eu provavelmente faria três parágrafos, no meu blog, dizendo que os personagens morreram… Estou interessada em passar um tempo em outros mundos, como a Terra-Média.

V: Como você está gastando seu tempo nos dias de hoje, tirando a produção do filme Austenland?
SM: Eu estou gastando 75% do meu tempo sendo uma mãe e um ser humano. Eu tenho um filho grande que está na escola, que me faz sentir como se eu tivesse 112 anos. Meus outros rapazes estão na sexta série e oitava série…

V: O que você está escrevendo agora?
SM: Eu diria que eu estou deixando as coisas me levarem.

V: Existe uma grande quantidade de sangue, suor e lágrimas com a escrita?
SM: Isso seria na edição. Para mim, há uma real diversão em escrever porque o mundo é aquilo que você quer que seja. Com um livro, quando você acabou de lê-lo, os personagens vão embora. Mas, quando você escreve, os personagens duram muito mais tempo.

E ai pessoal o que achara???? Comentem...
Beijus
Camila Mazzetto
06:00 3 comentários


Olá pessoal, como estão???
Hoje feriado 0/ (para quem é de São Paulo) e que tal aproveitar e conferir a entrevista que a querida autora Keila Gon respondeu para o blog!!!!!!
Vamos conferir...


1 - Você teve alguma dificuldade em publicar seu livro?

Passar a barreira “Iniciante e nacional” não é fácil.... ahahhahah O preconceito existe sim. As grades editores recebem o manuscrito para avaliação, mas acabamos ouvindo coisas como: “já publicamos a cota do gênero”... pois é. Então a opção são Editoras parceiras. Fui feliz com a Novo Século que publicou “Cores” com qualidade e ainda me presenteou com uma capa linda!

2 - Quando você decidiu que era hora de escrever um livro?

Quando a imaginação descobriu que ler não era suficiente...ahahahha Sério, há dois anos comecei a escrever por diversão. Depois de alguns capítulos mostrei para minha irmã... e ela deu o empurrão que faltava para eu começar a série. Loucuras...ahahhahahha

3 - Como está sendo para você a repercussão do Cores de Outono?

Sorrisossssssss, Sorrisossssssssssss.... ahahhahha Sério, sou leitora e sinto muitas das sensações descritas nas resenhas... isso emociona.  E tenho MUITO que agradecer aos blog literários pelo apoio e carinho ao abraçar esta história!!!

4 - Você tem alguma outra estória para um novo livro: Se sim, poderia contar um pouco sobre ela?

Não vou mentir, tenho sim... alguns esboços ahahhahha MAS ANTES PRECISO TERMINAR A TRILOGIA DE “CORES”,  se não muita gente me mata, sério.

5 - Quais são seus autores favoritos? Tem algum livro, que você considera especial e já leu?

Favoritos... Uhhh... Nacionais, Cinco minutos - José de Alencar (doçura que amo);  passei a admirar o Eduardo Spohr (gente esse cara é mmuuuiiitttooo inovador!); Kelly Cortez – O farol do porto da Paz.... (intenso!) ; Eleonor Heltzog -  Linhagens... ( vocês vão entender)...
Os internacionais, vejamos... Orgulho e Preconceito - Jane Austen (a mulher é atemporal... Ahhh Mr. Darcy); Série Harry Potter - J.K.Rowling (ela é um gênio); A série Diário de Vampiro – Lisa J. Smith (amo essa mulher!!! Ela criou o Damon, amo, amo, amo esse Bad Boy); Sherlock Holmes - Arthur Conan Doyle (nunca vou me cansar do Holmes); O fantasma da Ópera - Gaston Leroux (o vilão apaixonante, sim eu me encantei com o vilão... fazer o quea ahahhaha); Ahhh o Código Da Vinci - Dan Brown (ritmo, ritmo, ritmo uhhh).... Gostei bastante da série Darkest Powers da Kelley Armstrong ( tá é super YA, mas gostei)...Tem a série Fallen... E... E... sou MUITO APAIXONADA pelos Tigres (saga A Maldição do Tigre) da Colleen Houck!!!!!!!!!!!!!!!!! Ta bom... acho melhor parar...
MAS especial MESMO? Cinco minutos - José de Alencar.
Ele é especial, por “n” motivos... e não é por acaso que está na introdução do livro. Foi o primeiro livro do gênero que li ... lá no começo da adolescência. E mostrou esse amor avassalador em forma de poesia. Sentimentos que eu nem imaginava na época... inesquecível.


6 - De onde vêm os seus personagens?? São inspirados em pessoas reais ?? 

Filmes animados (desenhos da Disney... Sim, leram certo, fazer o que...), música, livros, filmes e PESSOAS REAIS, com certeza!!!! Todos os personagens foram inspirados em pessoas que conheço. Mas calma gente... estas pessoas sabem que foram inspiração! Algumas eu já comentei algumas vezes... minha Tata, minha grande amiga Danielle Ziggiatti.... xiii a lista é grande.


7 - O que você mais gosta no seu livro Cores de Outono?

O romance... claro ahahhahah, o mocinho às avessas ahahhahah Sério... A oportunidade de mostrar em uma história que o acaso surpreende todos os dias, que o certo nem sempre é fácil, que ser diferente é normal... Na verdade... que existe muitas versões para o termo “normal”!!

8 - Já tem uma previsão para o lançamento da continuação de Cores de Outono? 

Isnirf.... não, ainda não tenho previsão para o lançamento de “Sombras da primavera”. Mas espero ter notícias em breve.

9 - Deixe um recado para seus leitores!!!

A imaginação é uma porta mágica e pode nos levar a qualquer lugar! E a chave para essa porta é um bom livro... Sonhem! Deixem o coração se encantar !!!
Beijos Lindos!
Obrigada pelas perguntas Camila : ) Eu adorei : )


A Autora


A Obra

Sinopse - Cores de Outono - Keila Gon

O inesperado, o impossível, o destino... Quem ama escolhe seus caminhos, vence o medo, ultrapassa a razão, duela com a dúvida entre o certo e o fácil para seguir seu coração. Melissa encontrou em um olhar as revelações de toda uma vida e longe da lógica escolheu o caminho confuso, mas surpreendente do amor. Ela chegou à pequena cidade da montanha com a responsabilidade de cuidar de Alice, sua irmã caçula, esperando uma vida simples. Mas se viu envolvida por Vincent, um estranho arrogante, dono de irresistíveis olhos turquesa que vai levá-la através da sombra e da luz para revelar surpresas inimagináveis de um Mundo Mágico perigoso e fascinante. A cada encontro este homem misterioso amedronta e encanta; desperta sentimentos e a faz duvidar de sua coragem. Mas, antes que Melissa seja arrebatada por esse amor, ela precisa enfrentar elfos, magos e intrigas em um mundo inóspito que testará seu coração. Cores, de outono é o primeiro volume de uma saga mágica que vai instigar emoções e paixões.

Então pessoal?? Gostaram da entrevista???
Quero agradecer de coração a atenção que a autora Keila Gon deu para o blog, respondendo as perguntas!!! Confesso que também sou apaixonada pelo Damon...kkkkkk
Desejo muito sucesso à você Keila, e estou muito ansiosa para o lançamento de Sombras da Primavera!!!!!
Beijus
Camila Mazzetto
00:00 1 comentários
Olá pessoal, como estão??
Olhando na internet algumas coisas para o blog, achei essa entrevista do autor Geroge R. R. Martin, autor dos famosos livros Guerra dos Tronos. A entrevista eu tirei do blog Livros e Pessoas!
Vamos conferir...

O escritor americano em foto da mulher, Paris McBride
O escritor americano em foto da mulher, Paris McBride
Raquel Cozer, na Folha de S.Paulo
Seria apenas meia hora de conversa por telefone e o assunto não poderia fugir muito de “Wild Cards”, série  coletiva sobre super-heróis que George R.R. Martin edita e na qual escreve desde os anos 1980. Duas das condições com as quais chegou até mim, no mês passado, a possibilidade de entrevistar o autor de “As Crônicas de Gelo e Fogo”, que nunca tinha falado a jornais do Brasil, país que está entre aqueles onde ele tem hoje mais leitores.
Confesso que bateu aflição à medida que lia entrevistas com ele. GRRM é um bom entrevistado, mas a paixão que sua obra desperta e a atenção implacável de fãs fez com que já fosse questionado sobre todo assunto que se possa imaginar, e as respostas tendem a se repetir. No fim, até ajudou falar de um tema menos abordado, “Wild Cards”, cujo volume 1 a editora LeYa acaba de pôr nas lojas (o segundo e o terceiro saem em novembro). E, é claro, fui encaixando na conversa as “Crônicas” e “Game of Thrones”, a série da HBO baseada nos livros.
Em “Wild Cards”, como nas “Crônicas”, GRRM dá um tratamento mais adulto, por assim dizer, a temas que tendem a ser associados ao juvenil (super-heróis, fantasia), com violência, política e sexo como pano de fundo. A boa notícia para os fãs das “Crônicas” é que GRRM hoje quase não ocupa seu tempo escrevendo para “Wild Cards”, embora editar a obra seja, como ele diz, “o trabalho mais desafiador” nesse sentido.
“Wild Cards”surgiu como RPG nos anos 1980. GRRM convidou vários amigos nerds a escrever contos a partir dessa premissa: um vírus alienígena que, em 1946, infectou terráqueos com sintomas imprevisíveis, matando muitos, dando superpoderes a uns e deixando outros deformados. Nisso, já foram 22 livros, histórias isoladas com personagens que se repetem e cujo fio narrativo é unificado. Cabe a GRRM reescrever muita coisa e fazer o conjunto funcionar, “conduzindo a sinfonia como se fosse uma big band”.
O resultado foi a capa da Ilustrada deste domingo, com os principais trechos da entrevista,  cuja íntegra você pode ler abaixo. Também questionei vários autores sobre a relevância de GRRM na literatura fantástica.
*
Folha – O sr. se tornou escritor devido ao interesse por quadrinhos, como costuma dizer, e em “Wild Cards” o sr. leva os super-heróis dos quadrinhos para a literatura. Como é usar na literatura um tema tão característico das HQs?
George R.R. Martin -
 Bom, nós buscamos, nos livros, fazer uma abordagem mais realista. Para começar do básico: eu amo quadrinhos, cresci lendo quadrinhos, mas há muitas convenções no formato que não fazem sentido quando você pensa nelas. A noção de que alguém que consegue superpoderes vai imediatamente comprar uma roupa de spandex e combater o crime. Não acho que isso funcione. No mundo real, se você conseguisse superpoderes, se eu tivesse a habilidade de voar, bem, provavelmente eu ainda seria um escritor, com a diferença de que não andaria mais de aviões. Isso iria mudar minha vida, mas não como acontece nos quadrinhos.
Então essa foi a situação quando pensamos no básico. Partimos da premissa: ok, depois da Segunda Guerra, algumas pessoas conseguiram superpoderes. Poderes e habilidades que vão muito além daquelas dos simples mortais. E começamos a pensar como o mundo seria transformado, como a vida das pessoas atingidas seria transformada.
Outra diferença entre “Wild Cards” e outras histórias de heróis é que a série lida mais diretamente com a história real e, conforme ela passa, muda seus rumos.Sim, o realismo nos fez colocar os super-heróis no tempo real, interagindo com o mundo real. Por exemplo, eu lembro, quando era garoto, que estava na escola e apareceu o Homem-Aranha. Ele estava no ensino médio, igual a mim. Houve uma identificação imediata, e pude entender problemas pelos quais ele estava passando. Então me formei no ensino médio e entrei na faculdade, e o Homem-Aranha terminou o ensino médio e entrou na faculdade, Peter Parker fez isso. Estávamos mudando.
Mas saí da faculdade em quatro anos, e o Homem-Aranha levou uns 20 anos para se formar. E, depois que saiu da faculdade, ficou preso naquela coisa de ser um cara de 20 e poucos anos que tinha acabado de sair da faculdade. E ficou um tempo casado, e depois não estava mais casado, disseram que o casamento nunca tinha acontecido. Você pega um livro do Homem-Aranha hoje e ele ainda tem lá seus 23 anos e saiu da faculdade poucos anos atrás. Lembro ter lido livros do Homem-Aranha em que ele estava envolvido em demonstrações dos anos 1960 conta a Guerra do Vietnã… Obviamente, o tempo dos quadrinhos não faz o menor sentido. Ele era da minha geração e agora é parte de uma geração muito mais jovem.
O Superman veio à Terra nos anos 1920, eu acho, e aterrissou pequeno e se tornou o Superman público no final dos anos 1930, mas, agora, se você lê os livros, ele veio à Terra em 1995 ou algo assim. Os criadores ficam revisando a história para mantê-los eternamente jovens, e essa é uma armadilha na qual decidimos não cair em “Wild Cards”. Queríamos fazer algo mais ligado ao tempo real. Heróis que conseguiram seus superpoderes em 1946, data do primeiro “Wild Cards”, e tivessem 20 anos naquela época, bem, agora eles estão aposentados, estiveram casados, têm filhos e casaram de novo e seus filhos cresceram. Eles tiveram todo tipo de problema que as pessoas têm ao longo da vida. Ser superforte ou lançar raios pelos dedos não eliminam os problemas que as pessoas têm na vida real.
E como surgem esses novos heróis com o tempo, à medida que os outros envelhecem?Isso depende. A genética de “Wild Cards” é complicada. É uma mudança na estrutura genética e se torna uma… Se os dois pais têm o vírus do “Wild Cards”, então a criança seria um Carta Selvagem [na tradução da LeYa, embora o título do livro seja em inglês, os infectados recebem no texto o nome em português], mas poderia também morrer, porque 90% das pessoas que pegaram o vírus e tornaram Rainha Negra [gíria para morte usada nos livros], como dizemos, morrendo. E 10% viram Curingas [personagens que ficam deformados], só um em cem se torna Ases e acabam como super-heróis. O bebê infectado tem as mesmas chances de qualquer um, não é algo simplesmente herdado.
Os Curingas, nesse sentido realista, são importantes para tratar de questões como o preconceito, não?Sim, sim. Muitas mutações não são boas. Queríamos dizer: ‘Sabe, se você sofresse uma mutação como essas dos quadrinhos, seria possível que isso não fosse tão bom, e isso é muito mais provável que uma mutação boa, inclusive’. Isso torna a história diferente de qualquer outra da Marvel, da DC Comics, Universal, a comunidade Coringa e a existência desse segundo time junto com os superpoderosos Ases, isso é algo que ninguém mais faz.
Acontece de um autor escrever para “Wild Cards” algo que o sr. acha que não vai caber na história como um todo e isso ser vetado? Como é escrever em equipe para um autor tão acostumado a escrever sozinho [como em "As Crônicas de Gelo e Fogo"]?Isso acontece o tempo todo. Vem acontecendo há 20 anos, e por isso sou necessário como  editor. Os autores escrevem suas histórias e meu trabalho principal, além de também escrever as minhas, é juntá-las. E há um grande trabalho de reescrita envolvido, porque as histórias nunca ficam perfeitas juntas de primeira. Às vezes, tenho autores que escrevem duas cenas que se contradizem ou que se duplicam, e essencialmente eu conduzo a sinfonia aqui, como se fosse uma “big band”, com todos os instrumentos e personagens funcionando juntos.
É um trabalho difícil. Editei uma série de publicações ao longo dos anos, mas o trabalho envolvido em “Wild Cards” é certamente o mais desafiador tipo de edição, simplesmente  porque você tem que pensar em equipe e ao mesmo tempo conseguir boas histórias dos escritores. Criamos um mecanismo pelo qual o criador de cada personagem revisa o texto quando seu personagem é usado por outro escritor. Além de mim como editor, os escritores interagem. Então, se alguém vai usar um personagem meu, como o Tartaruga, posso dizer:  ”Não, ele não diria isso dessa maneira”, ou “Ele nunca faria isso”. Muita reescrita. Mas, felizmente, a maior parte dos escritores faz o trabalho com muita vontade, adora escrever sobre esses personagens e esse universo.
Há algum personagem de outros autores que você gostaria de ter criado?Provavelmente o Dorminhoco, que foi criado por Roger Zelazny, um amigo querido e um dos melhores escritores que a ficção científica já produziu. É muito original, parte do time original [personagens do primeiro livro]. O Dorminhoco é flexível, tem suas características,  mas pode caber em praticamente qualquer história dos outros autores, às vezes como herói, às vezes não. E ele é um homem do nosso tempo. Ele vive em 2013, era um garoto quando o vírus chegou à Terra, em 1946, então ele se lembra de um mundo diferente. Toda vez que ele vai dormir, não sabe como vai acordar [se com poderes de Ás ou deformidades de Coringas] ou se vai acordar. É um personagem incrível, provavelmente o mais icônico do “Wild Cards”.
Atualmente a série está saindo em vários países, mas a maior parte das histórias se passa nos Estados Unidos. Não pensam em torná-la mais global?
A maior parte das histórias se passa em Nova York. Mas, de tempos em tempos… O quarto livro da série, chamado “Aces Abroad”, é um livro no qual os personagens fazem uma turnê mundial, visitam várias cidades. Acho que eles passam pelo Brasil, embora não tenham uma história aí. Mas temos uma história no Peru. E temos histórias no Oriente Médio, na Europa Oriental e Ocidental, no Japão. Depois, muitos volumes depois, aparecem histórias que têm uma base mundial. A série que começa com “Inside Straight”, volumes 18, 19 e 20, começa em Los Angeles, passa para o Egito e o Oriente Médio, e lá e personagens se envolvem com a ONU. Tentamos dar um sabor mais global. Soube que no Brasil pediram por esses livros, gostaria de sediar histórias aí. Isso seria divertido.
Os direitos de adaptação foram comprados pela Universal para o cinema. Em que pé está isso? O sr. lida bem com a ideia de transformar a série em um único filme, algo que não quis aceitar para “As Crônicas de Gelo e Fogo”?Bom, Wild Cards não é bem uma história, são centenas de histórias, é um mundo. Esperamos que o primeiro filme conte uma história de um grupo particular de personagens, e, se fizer sucesso, o segundo filme pode ser com um time completamente diferente de personagens. E pode ser no passado, no futuro. Temos centenas de personagens e histórias. É uma franquia incrível, que funciona para uma série de filmes, que é o que esperamos conseguir, ou para uma série de TV, o que pode vir a acontecer se os filmes fizerem sucesso. Mas agora estamos no estágio inicial, Melinda Snodgrass [uma das autoras da série e coprodutora, com GRRM, do fillme] está escrevendo o roteiro, está no segundo rascunho. Estamos esperando.
Os leitores no Brasil o conhecem mais como autor de fantasia que de ficção científica. É diferente criar uma e outra?
Não há grande diferença. Em ficção científica, você tem aliens e naves espaciais; em fantasia, tem dragões e cavaleiros, mas de toda forma está contando histórias, e o coração de toda história, no passado, no presente ou no futuro, seja ficção científica, seja mistério, seja romance, o coração de qualquer história são os personagens. Se você tem bons personagens, que os leitores achem interessantes e com os quais se preocupem, sua história vai funcionar. Não importa o gênero.
William Faulkner, o grande escritor americano, uma vez disse que o coração humano em conflito consigo mesmo é a única coisa sobre a qual vale a pena escrever, e acredito nisso. Não acho que o gênero importe tanto.
Se o gênero não importa tanto, e considerando que o sr. gosta de histórias muito realistas, envolvendo questões políticas, violência, sexo, nunca pensou em escrever abrindo mão da fantasia?Gosto de violência, sexo e política, é verdade [risos]. Mas fantasia, bom, eu amo a fantasia, ela permite usar a imaginação. Quando eu era criança, vivia uma vida de imaginação. Éramos pobres, não tínhamos dinheiro, não íamos a  lugar nenhum. Vivíamos perto de um canal, e eu olhava a água, e eu via embarcações o tempo todo indo a Hong Kong ou Japão ou França ou Brasil, eu olhava para as bandeiras e imaginava quem estava naqueles navios. Daí começava a pensar também como seria estar em naves espaciais ou com aliens. É tudo imaginação. Amo ser levado a mundos fabulosos de maravilhas e cores.
O sr. ainda tem tempo para se dedicar a “Wild Cards”? Os leitores de “As Crônicas de Gelo e Fogo” permitem isso?Bom, alguns ficam irritados. Mas, dito isso, hoje não escrevo muito para “Wild Cards”. Faço a edição, que é algo que demanda tempo, mas não tanto quanto escrever as histórias. Gostaria de escrever mais para “Wild Cards”, adoro esse mundo, adoro meus personagens nesse mundo, mas não posso até terminar as “Crônicas de Gelo e Fogo”. Essa é a minha prioridade, ainda tenho dois livros a terminar e isso vai me tomar alguns anos, e ainda tenho a série de TV vindo atrás de mim.
Como é a receptividade de “Wild Cards” entre os fãs? Eles não chegam a ser intensos como os das “Crônicas de Gelo e Fogo”, imagino.Eles existem em menor número. “As Crônicas de Gelo e Fogo” são a coisa mais bem-sucedida que fiz, então tem mais leitores. Mas os fãs de “Wild Cards” também sabem ser intensos, formam relações com personagens diferentes. Odeiam alguns, amam outros, discutem quem venceria quem numa briga. É sempre interessante. No geral, adoro a intensidade dos fãs. Você quer que eles se importem, que discutam os livros e implorem por lançamentos. A pior coisa para um escritor é quando os leitores não se importam, o que é a triste verdade para a maior parte dos escritores.
Sobre a relação com fãs, o sr. já disse que prefere não ler o que eles escrevem, como as fanfics [histórias de fãs usando universos de um escritor], inclusive para não ser acusado de plagiá-los. Como lida com a ideia de que um dia deixará sua história de herança para outros, como aconteceu com Tolkien?[pausa] Bem, algum dia, eu imagino, sim…
Digo, um dia num futuro distante, é claro.Certo [risos]. Não me preocupo com o futuro distante. Acho que o presente me mantém ocupado o suficiente.
O sr. lida com muita pressão para terminar as “Crônicas”, há quem até tenha medo de que não consiga terminar o sétimo livro, dado que já se passaram mais de 20 anos desde que começou a escrever e ainda faltam dois títulos. O sr. costuma dizer que guarda na memória, mas não tem algo no computador, uma linha geral, algo que eventualmente sirva como base num futuro distante?Tenho alguma coisa anotada, sei para onde está indo a história e estou seguindo isso. Não tenho todos os detalhes anotados, isso é algo que prefiro pensar à medida que escrevo.  Essa é a aventura de escrever, quando os personagens e a linha da história vão para lugares não imaginados, mas sei as principais coisas que vão acontecer. Sou um escritor lento, reescrevo tudo. Não imagino que isso vá mudar, então as pessoas que ficam aflitas com a chegada dos meus livros vão ter que se acalmar e lidar com isso. Não posso ir mais rápido só porque estão impacientes.
Quando o sr. começou a criar “Wild Cards”, não se usava a internet. Com o tempo se popularizaram não só a internet como ferramentas de pesquisa, como o Google, e de organização. Há escritores que usam Excell, que nem é uma ferramenta nova, para se organizarem. Como lida com essas tecnologias?Elas foram bastante úteis para “Wild Cards”, preciso dizer. Quando começamos, e estamos falando do início do início dos anos 1980, com o primeiro livro saindo em 1987, não havia internet. Muitos dos escritores nem computadores tinham, era tudo na base da máquina de escrever. Tínhamos de redigitar as histórias, e então havia ligações telefônicas, enormes distâncias a superar… Mas isso mudou com o tempo.
Na metade dos anos 90, vários de nós já estávamos na internet, e existia um serviço, que não existe mais, da General Electric, que tinha fóruns e mensageiros, nos quais você podia tratar assuntos privados. Criei diferentes tópicos sobre “Wild Cards”, e discutíamos ali, o que certamente era bem mais fácil que fazer ligações telefônicas e mandar pelo correio os manuscritos ao redor dos Estados Unidos. Agora, é claro, está tudo na internet, mandamos tudo por e-mail. Isso faz as coisas mais fáceis quando você trabalha em grupo.
Agora, com as “Crônicas de Gelo e Fogo” não uso nada disso. Sou só eu, sozinho, com meu computador, escrevendo histórias. Sim, quando termino posso mandar por e-mail ao meu editor, mas é algo muito básico para escrever. Não uso nenhum tipo alta tecnologia. Na verdade, faço a maior parte do meu trabalho num DOS [sistema operacional comum nos computadores até os anos 1990].
E também tenho algo que não chega a ser uma tecnologia nova, que é função de busca do computador, o que torna fácil encontrar detalhes como as cores dos olhos dos personagens.  Tenho um arquivo gigante que contém todos os cinco livros e posso pesquisar neles para evitar contradições.
O sr. trabalha como consultor de “Game of Thrones”, série de TV baseada nos livros, sem poder de veto, até onde entendo. Como lida com as mudanças feitas pelos roteiristas, que estão mais comuns nesta terceira temporada? Há alguma solução deles que o sr. chegou a achar melhor do que o que estava no livro?Bom, adoro a série de TV, mas gosto mais dos livros. Foi de grande ajuda para mim, em relação a série, o fato de eu ter trabalhado em TV por dez anos, nos anos 1980 e 1990 [foi roteirista das séries "Além da Imaginação" e "A Bela e a Série"]. Não trabalhava na criação, adaptava material de outros escritores. Então sei o tipo de alterações que são necessárias, em geral por questões práticas, como ter só uma hora por episódio, ter que encaixar tudo num certo orçamento.
O orçamento de “Game of Thrones” é grande na comparação com outros do tipo, mas ainda é um orçamento. Você não tem todo o dinheiro de que precisa nem pode contratar todos os atores de que gostaria. Com isso, personagens têm de ser combinados, outros têm de ser modificados, situações também. Temos dez episódios por temporada. Sempre disse que o ideal seriam 12 episódios, o que permitiria aproveitar mais personagens e situações que infelizmente ficam de fora, mas seria caro. Dez episódios é o que temos, e acho que fazem um trabalho excelente com isso. De algumas das mudanças eu gosto, por outras não são sou tão apaixonado. Mas entendo a necessidade de todas elas.
Pode dar exemplos de mudanças de que goste ou não?Acho que as novas cenas que estão inventando para o programa estão funcionando, muitas são perfeitas, algumas das melhores da série estão nesses episódios. Sinto falta de algumas das cenas com o Mance [Ryder] ou diálogos que foram cortados. Algumas mudanças eu não faria. Fiz os livros por razões que eram minhas e prefiro na maior parte dos casos elas tal como estão nos livros.
Impressiona a dimensão geográfica e genealógica que a história toda tomou. Ela chega a fugir do seu controle?
Isso é uma razão por que demoro tanto escrever. A história foge constantemente do meu controle. Reescrevo muito, vou seguindo os personagens e às vezes eles me levam pelo caminho errado, então tenho que voltar e entender o que deu errado. E então reescre, coloco numa ordem diferente, até entender como deve ser.
O sr. usa com muita frequência os chamados cliffhangers [estratégia para prender o leitor ao final de cada capítulo]. Diria que é uma forma de arte?Sim, definitivamente. Esses dez anos em que fiz televisão me ensinaram muito sobre isso. Não sei como é no Brasil, mas, na TV americana, os programas têm muitos comerciais. E é preciso que a cada ato, considerando que um programa tem de quatro a cinco atos em uma hora, exista o chamado “act break”, que pode ser um cliffhanger, embora não precise ser. Algo como uma revelação, um personagem que descobre algo, alguma coisa que impeça que o espectador mude de canal no comercial e que o faça pensar no que vai acontecer.
Essa é uma técnica boa, que prende as pessoas na história. Em “Game of Thrones”, mesmo não tendo intervalos, eu queria que cada capítulo terminasse com um “act break”. Alguma coisa acontecendo do final de cada capítulo, por exemplo, da Arya, que fizesse você imediatamente querer saber o que acontecerá no capítulo seguinte. Mas você não pode saber isso imediatamente, porque agora tem que ler um capítulo do Tyrion ou do Jon Snow. E então você lê o capítulo do Tyrion e ali acontece algo que faz você querer ler o próximo capítulo dele. O ideal é que funcione com todos os personagens. Não é uma técnica fácil, mas acho que tem funcionado.
Qual o sr. diria que é o tema central das “Crônicas” e o que elas refletem da visão que o sr. tem de política ou das sociedades atuais?Um tema central é certamente a  disputa de poder. As relações de políticas e de governos. Mas prefiro pensar menos em temas e mais em histórias individuais, o que nos leva de volta aos personagens, à questão do coração de que falou Faulkner. Estou mais interessado no que Jon ou Dany faria agora do que nas falhas das sociedades médias como um todo. Os personagens se tornaram muito verdadeiros para mim e espero que também para ao leitor.
O mundo é minha criação. Não estou interessado em criar uma alegoria ou fazer um comentário político ou social, mas inevitavelmente meus pontos de vista e minhas opiniões estão lá, porque eles fazem parte de mim.

E ai o que acharam??? Eu sinceramente ainda não tive coragem de comprar os livros dessa série, porque são enormes e não sei se me interesso por eles assim, mas quem sabe um dia essa série não me conquiste!!!
Beijus
Camila Mazzetto
06:30 No comentários
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